
Se você compra um telefone celular ou uma televisão, o produto acompanha um manual, que orienta com detalhes o modo de uso e, logo no início, traz a recomendação de “ler o manual antes de usar o produto”. Você pode ignorar o manual por não sentir necessidade de lê-lo, porque já conhece um aparelho semelhante ou porque tem alguém próximo que pode lhe ajudar a explorar os recursos da máquina, mas o manual vem junto para você consultá-lo. E quanto aos filhos?
Filhos, claro, são muito diferentes de produtos comerciais e devem ser tratados com um amor, com um respeito totalmente diferente ao que dedicamos aos produtos. Mas, em comum com os celulares e as televisões, os filhos requerem gestos, atitudes e cuidados. Os cuidados certos vão contribuir para que a criança tenha mais saúde, seja feliz, que cresça para se tornar um bom cidadão, ao mesmo tempo em que também nos fazem felizes. Por outro lado, em casos extremos, os cuidados errados podem até levar à morte precoce das crianças.
Existe um manual para criar filhos?
Acredito que, para muitas pessoas, logo após a confirmação de que seremos pai ou mãe pela primeira vez, vem a preocupação de como cuidar daquele bebê e daquela vida. Imagino também que não é consciente inicialmente o modo como cuidaremos de nossos filhos. Então você passa a refletir sobre o modo como você foi criado, sobre o modo como a esposa, o marido, a companheira ou o companheiro foi criado. Há boas lembranças de como fomos criados e há lembranças ruins, porque nossos pais são imperfeitos como todo ser humano. Hoje em dia também há alguns livros, revistas, sites, comunidades na internet que se propõem a ajudar nessa tarefa de aprender a cuidar dos filhos. Uma geração sucede a outra e podemos ter a esperança de que teremos um mundo melhor e que poderemos ser pais melhores do que os que tivemos, se nos comprometermos com isso.
Quanto a mim, procurei e continuo procurando o que poderíamos ter de mais universal em relação a boas regras para cuidar dos filhos. E o melhor que eu encontrei até hoje, além da Bíblia, foram “Os doze princípios do Amor-Exigente para pais”. Comento nesta mensagem, então, quatro dos doze princípios do amor exigente.
• o primeiro princípio fala que nossas atitudes devem ser norteadas por integridade moral, ética, respeito, compreensão e amor, que são imutáveis. Somos bombardeados diariamente com uma monumental carga de informações e não nascemos capacitados para questionar e nos posicionar em relação às informações. Talvez ficássemos doidos se parássemos para analisar, por exemplo, quais valores são transmitidos em cada um dos programas de televisão a que assistimos. Será que programas como os “reality shows”, um jogo da seleção brasileira de futebol ou um humorístico como “A Grande Família” transmitem valores que correspondem aos nossos, que alimentam nosso desejo de sermos melhores para nós mesmos e para os outros? Será que os sites que visitamos na Internet contribuem para fortalecer os valores com que verdadeiramente nos identificamos?
• O segundo e o terceiro princípio falam das limitações físicas, emocionais e econômicas dos pais. Cada pai e cada família tem um orçamento, seja ele menor que um salário mínimo seja ele tributado pelo Imposto sobre Grandes Fortunas. Dentro desse orçamento, tem que caber os gastos e investimentos para satisfazer as necessidades das pessoas que estão sob sua responsabilidade. Da mesma forma, cada pai e cada mãe tem uma limitação emocional, que deve ser assumida com tranqüilidade. Somos conscientes das nossas limitações físicas, emocionais e financeiras? Como registramos e acompanhamos a evolução da nossa condição física, emocional e financeira? O segundo princípio encerra afirmando que os pais “em suas funções de pais, com sua experiência, vivência e amor para seus filhos, são insubstituíveis“. Ou seja, mesmo com todas essas limitações, os pais são insubstituíveis e não devem se omitir de cumprir bem esse papel. Se nos omitirmos na nossa função de pai quem pode assumir esse papel e fazer isso com igual amor ou melhor? Quais são as conseqüências dessa omissão para a criança que geramos para o mundo? Se nossos recursos são limitados, as sete notas musicais dos sistema Ocidental também o são. Mesmo assim, algumas pessoas são capazes de, com criatividade, combiná-las para produzir grandes maravilhas. Como podemos nos unir para que mais pessoas sejam capazes de fazer maravilhas na criação dos filhos?
• O último princípio define o amor como “ajudar o outro a ser a pessoa certa para ele mesmo e para o mundo para onde for viver”. Isso é interessante porque algumas das nossas atitudes como pais podem ajudar nossa criança a ser uma boa pessoa para ela mesma sem que isso contribua para o bem dos outros. Será que isso é o suficiente? Será que temos amor suficiente pelos nossos filhos para corrigí-los não uma, duas ou três vezes, mas quantas vezes forem necessárias até que compreendam e vivam melhor para si e para os outros em relação a uma nova e pequena dimensão da vida?
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Então, querido leitor deste blog, fica a pergunta para você:
• pais e mães, vocês têm histórias que exemplificam o que herdaram dos seus pais (forma de criação, valores, condições economico-financeiras)? O que vocês passaram ou passam para os filhos?
• filhos, vocês têm histórias que exemplificam o que vocês aprovam e o que vocês reprovam da criação recebida dos pais? O que vocês pretendem passar para os futuros filhos?
Etiquetas: amor, amor-exigente, conciência, ética, felicidade, histórias, integridade, lembranças, limitações, manual, notas musicais, questionar, regras, universal