Superproteção dos pais, negação de deficiências dos filhos e notificações cidadãs

Na quinta-feira passada (24/09), a Folha publicou algumas reportagens sobre o dilema de pais e mães de crianças e adolescentes com alguma deficiência sensorial ou motora: “incentivar que o filho supere seus limites a fim de crescer em relativa igualdade com seus pares ou poupá-lo de frustrações e agir de forma a atenuar os obstáculos que, devido à deficiência, são mais difíceis para ele do que para os demais”.

Anderson, André e Alexandre Nascimento, com a mãe, Doralice; eles aprenderam a andar de bicicleta apesar de serem cegos. Caio Guatelli/Folha Imagem

Para mim, é de admirar a criatividade humana para superar as limitações que a vida nos impõe:

“Nascidos no interior de São Paulo, os três foram criados com autorização para subir em árvores, brincar de pega-pega e jogar bola. ‘Minha mãe embrulhava a bola em um saco plástico para que pudéssemos saber onde ela estava’, conta Alexandre. Aprenderam até a andar de bicicleta e a cavalo.”

A reportagem também fala de superproteção, que não é exclusiva de pais com filhos portadores de alguma deficiência, e, com a ajuda de um psiquiatra, recomenda: “Deve-se procurar, o tempo todo, um balanceamento entre ajudar a criança em coisas que ela não consegue fazer sozinha e estimulá-la a resolver as outras. É preciso bom senso, o máximo de orientação técnica e flexibilidade”

Em outra reportagem da série, fala-se do problema oposto à superproteção, a negação da deficiência:

“Uma espécie de avesso da superproteção, a negação é outra maneira que os pais encontram para lidar com o diagnóstico de deficiência. ‘Alguns podem fazer de conta que está tudo normal e, com isso, não conseguem atender às necessidades específicas da criança’, afirma a psicóloga da PUC-SP.”

Para falar da importância da preparação para a vida, eles trouxeram um depoimento do jornalista cadeirante Jairo Marques:

“Nem após as cirurgias necessárias para minimizar os reflexos da paralisia infantil -fui vítima dela aos nove meses-, eu recebia proteção excessiva. Matar aulas porque estava usando gesso ortopédico, nem pensar. Era necessário me reabilitar, mas isso nunca foi justificativa para deixar meu preparo de vida para trás.”

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Em comemoração ao Dia Nacional de Luta das Pessoas Deficientes, o Correio Braziliense também publicou uma reportagem, mas o foco foi diferente. Ele abordaram a questão das barreiras de acessibilidade para cadeirantes e contextualizaram a questão com a ida de três pessoas a uma rua comercial de Brasília, a 404/405 Sul. Achei bastante interessante também.

Apenas quatro lojas visitadas escaparam da notificação e 12 foram multadas porque não instalaram rampas na porta ou mantinham escadas no acesso ao banheiro. Ao entregar a notificação, Carvalho explicava que o objetivo da ação não era constranger ninguém, mas conscientizar. “Constatamos que a sua empresa não oferece condições adequadas para receber clientes com deficiência. Acessibilidade em locais públicos é lei”, estava escrito nos autos de infração entregues. Em 30 dias, Carvalho promete voltar à quadra e verificar se os comerciantes providenciaram alterações. Ele também pretende ampliar o trabalho para outras quadras do Plano Piloto. “O que acontece aqui é exatamente a mesma coisa que nas demais quadras da cidade”, justifica.

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Um comentário para “Superproteção dos pais, negação de deficiências dos filhos e notificações cidadãs”

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