Saúde do homem, uma rápida revisão de preconceitos associados
Ainda é um tabu na sociedade brasileira o homem cuidar da sua própria saúde e preocupar-se com isso. Para começar a levantar a bola dessa questão, cito abaixo alguns trechos de reportagens.
No dia 08 de julho deste ano, o Conselho Nacional de Saúde aprovou, por unanimidade, o mérito da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem. A proposta, em elaboração desde outubro de 2008, foi apresentada pelo Assessor Especial do Ministro de Estado da Saúde, Adson França.
A política tem por objetivo melhorar as condições da saúde masculina no país e acabar com os preconceitos. Em entrevista à Agência Brasil, o presidente do CNS, Francisco Batista Júnior, afirmou que a falta de preocupação do homem com a sua saúde é fruto de uma sociedade preconceituosa. Para ele, a reeducação é uma solução para o problema.
“Temos que investir numa nova educação voltada para a superação do preconceito para que o homem admita as suas fragilidades e passe a se preocupar com a sua saúde física e mental”, disse.
Na comparação com a mulher, o presidente do CNS afirmou que a situação da saúde masculina no Brasil exige mais preocupação das autoridades públicas devido ao atual quadro de desinformação. “A situação da saúde do homem no Brasil é dramática. O número de mortalidade dos homens é mais alto que o das mulheres. Eles [homens] procuram dez vezes menos o serviços de saúde, sofrem pelo preconceito e falta de informação sobre a sua saúde, o que dificulta no desenvolvimento do serviço prestado”, afirmou
Para Batista Júnior, a falta de interesse do homem em procurar um médico para a prevenção de doenças causa grandes prejuízos para ele e para a população. “Há índices altíssimos de câncer de próstata, intestino e estômago entre os homens. Em decorrência da negação dos homens para se submeterem aos exames periódicos. A falta de interesse na prevenção de doenças masculinas traz um custo muito elevado para a população não só econômico, mas também social”, disse.
Muitas dessas mortes poderiam ser evitadas, não fosse a resistência masculina de procurar os serviços de saúde. “Trabalhos científicos referendam que o próprio homem subestima seu cuidado”, diz o diretor do Dape, Adson França. Segundo ele, alguns costumam alegar que não vão aos postos de saúde porque estes fecham cedo, enquanto ainda estão no trabalho. “É uma desculpa”, rebate. Estudos mostram que não há aumento da frequência masculina em estados com unidades que oferecem horário de atendimento ampliado, enquanto as mulheres trabalhadoras conseguem ir às unidades se cuidar. O pesquisador Jorge Lyra da Fonseca, do Instituto Papai, do Recife, estuda o tema das masculinidades desde 1994 e também observa que muitos homens veem o cuidado com a saúde como “coisa de mulher”.
Um dos objetivos da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem é justamente aumentar o acesso e a adesão dos 40 milhões de homens com idade entre 25 e 59 anos à rede do Sistema Único de Saúde desde a atenção primária até a especializada e hospitalar. Em especial, visa promover a saúde e prevenir agravos. Isso porque a maioria só procura profissionais quando já apresenta sintomas de uma doença: quase sempre, a atenção especializada, para tratar de um problema específico, como diabetes ou infarto. Enquanto as mulheres somaram 16 milhões de consultas ao ginecologista em 2007, os homens fizeram apenas 2 milhões de visitas ao urologista.
Outro ponto fundamental, segundo o diretor do Dape, é capacitar os profissionais de saúde — especialmente agentes comunitários e integrantes das equipes da Estratégia Saúde da Família — para melhor acolherem os homens. “Há profissionais que levam seus preconceitos de casa para o trabalho”, lamenta. Jorge Lyra da Fonseca critica a forma com que a mídia cobre a atenção à saúde do homem. “O foco é quase sempre o exame de toque, tratado com ironia, com uma mensagem subliminar homofóbica”, o que, de acordo com ele, acaba afastando ainda mais o homem dos serviços.
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O instituto Papai, do Recife, também defende que a paternidade seja encarada como um direito: “A mulher tem seis meses de licença-maternidade, o homem tem apenas 5 dias [projeto tramita no Congresso que a amplia para 15 dias], então, mesmo que deseje compartilhar o cuidado do filho com a mãe, não tem esse direito”. Para o pesquisador, os serviços de saúde devem se adequar ao crescente interesse dos pais pela criação dos filhos, convidando-os a participar do pré-natal, do parto, do pós-parto e das visitas ao pediatra.
Os homens têm dificuldade em reconhecer suas necessidades, cultivando o pensamento mágico que rejeita a possibilidade de adoecer. Ainda, os serviços e as estratégias de comunicação privilegiam as ações de saúde para a criança, o adolescente, a mulher e o idoso.
Como a atividade física é um fator que ajuda a combater o excesso de peso e o sedentarismo, compartilho com vocês a vídeo que minha amiga Danielle Rocha me enviou:


é necessário que haja uma maior explanação para que o preconceito não prevaleça ainda em nossa sociedade tão machista.
No mesmo dia (27/10), em que o Ministério da Saúde lança a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, a sociedade civil organizada, por meio da Rede de Homens pela Equidade de Gênero (RHEG), publica o documento-marco “Princípios, diretrizes e recomendações para uma atenção integral aos homens na saúde”.
O objetivo deste documento é contribuir para a consolidação de políticas públicas de atenção integral aos homens na saúde, a partir de reflexões críticas e proposições, tendo por base a perspectiva feminista de gênero.
Esta publicação apresenta um conjunto de idéias, argumentos e informações sobre a atenção aos homens nos serviços públicos de saúde. Ela integra as ações do Projeto “Homens e atenção integral à saúde”, uma iniciativa do Instituto PAPAI, em parceria com o Núcleo de Estudos em Gênero e Masculinidades (Gema/UFPE) e com a Rede de Homens pela Equidade de Gênero (RHEG). A produção deste documento contou com apoio da Agência Canadense de Cooperação Internacional (CIDA), Ministério da Saúde, Save The Children, WCF e Unicef.
Maiores informações no site http://www.papai.org.br