Educação se dá por meio de bons (mas também de maus) exemplos!

Pai carrega filho nos ombros. Foto de Larry Kolvoord

Você alguma vez já deve ter ouvido falar ou lido sobre a diferença entre informação-conhecimento e sabedoria-experiência. Embora todos nós vivenciemos inúmeros e às vezes semelhantes acontecimentos e fatos em nosso cotidiano, apenas uma minoria os transforma em experiência, tornando-se sábio! A passagem de um estágio ao outro demanda de nós o exercício da nossa capacidade de reflexão.

Dentro da proposta do blog do nosso amigo Aurelio, acredito que os pais podem aprender bastante a partir das vivências que todos experimentam diariamente, bastando observar, refletir, analisar e tirar as inúmeras e ricas lições que cada um vislumbrar. A vida é nossa principal mestra, começando pelas mais simples situações!

Ofereço dois exemplos. Dois domingos atrás eu andava de bicicleta e, de passagem, vi uma família caminhando pela calçada de um parque aqui em Cambridge. Casal jovem, a mãe ia um pouco à frente seguida pelo pai, que carregava seu filho no cangote. O garoto devia ter entre dois e três anos. Meu olhar foi subitamente atraído pela alegria que o menino expressava através de sorrisos e gargalhadas. Eu, vindo na direção oposta a eles, pude ter essa vista maravilhosa da felicidade estampada na face do garoto que ia sendo carregado por seu pai. Do que mais uma criança precisa? Mais do que qualquer outra coisa, da presença, do carinho, do amor de seus pais. De poder apenas passar o tempo juntos e compartilhar da felicidade dessa recíproca e amorosa presença! Não sei se aquele pai estava tendo a experiência de saber, de ser consciente do quanto seu filho estava feliz naquele momento. Se sim, imagino quão feliz aquele fim de dia deverá ter sido para ele!

O segundo exemplo é um pouco diferente. Um casal me devolvia para casa após eu ter celebrado a missa numa cidade vizinha de Boston. O pai dirigindo, a mãe com o filho no banco de trás. O garoto, por volta dos quatro anos. Estávamos conversando e, de repente, efusivamente, o pai fala com o garoto, “ei, olha, filho, olha só… uma Ferrari!!” Eu fiquei realmente surpreso com o fato, que me fez pensar bastante depois. No evangelho daquele domingo (Marcos 6,7-13), Jesus havia enviado os discípulos em missão. Recomendou que não levassem nada. A pobreza entendida como o estado de total liberdade para o serviço do evangelho e o anúncio da presença do Reino na pessoa de Jesus! Eu pensava… Diante da cultura consumista e do afã de possuir, de acumular bens, existirá ainda espaço para cultivar a disponibilidade-liberdade interior para o serviço do Evangelho? Como os pais educam seus filhos em relação aos apelos que a publicidade continuamente lança aos nossos instintos consumistas? Embora eu imagine que ele ainda não faça a mínima idéia do que signifique “uma Ferrari!!”, que tipo de mensagem aquele garoto de apenas quatro anos estava recebendo de seu pai? E, como no primeiro exemplo, está este pai consciente do tipo de mensagem que ele comunica a seu filho?

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