Pai ausente, endeusamento da mãe
Temos um silêncio hereditário: geração em geração, (…) a cultura tem excluído a função de pai no processo afetivo e psicológico da criança, reforçando apenas o lado de provedor, sobrecarregando e levando a um endeusamento das mães.
O que é um pai ausente? Não, não é aquele que se separou e, por isso, não vê os filhos todos os dias. “Trata-se da figura paterna que pouco ou nada contribui para a formação e a educação dos filhos, independentemente do fato de morar ou não na mesma casa”, esclarece a psicóloga Alaide Degani De Cantone.
A experiência clínica de Ferruci demonstrou-lhe que “cada ser humano é o resultado da relação entre dois indivíduos: o seu pai e a sua mãe. E esta relação continua a viver dentro de nós como uma harmonia belíssima ou como uma dilaceração dolorosa”. “A relação entre os nossos progenitores - disse Ferruci - constitui o que somos. E isto é verdade também na época da “família – dormitório”, dos progenitores “single”, da fecundação artificial, da manipulação genética, dos ventres de aluguel, dos bancos de espermatozóides… Uma criança sente com todo o seu ser a relação entre os seus progenitores, seja ela qual for. Se a relação estiver envenenada, o veneno circulará pelo o seu organismo. Se a atmosfera não for harmoniosa, crescerá em dissonância. Se estiver repleta de ânsias e inseguranças, também o seu futuro será incerto”.
